Ser sustentável

Artigo por Elaine Santana para o site Eu Sem Fronteiras.

É condição irrevogável, atual e necessária educar para a sustentabilidade.

Direcionar nossos esforços neste sentido é uma ressignificação de valores, e isso inclui a forma como produzimos, para que produzimos e o que. Inclui ainda novas relações com o consumo, o que de fato precisamos para viver, para ser?

Vivemos uma época de profunda transição de consciência e oscilamos entre sentir e julgar, intuir e questionar, racionalizar. Estamos aprendendo e reconhecendo novos potenciais, descobrindo nossos valores, abandonando o que já não nos serve, reciclando.

Há um abismo entre o que o mundo nos pede e o que damos conta; entre as exigências e estímulos exteriores e os recursos interiores, nossa capacidade em lidar com as emoções, impulsos e desejos.

Para o psiquiatra italiano Dr. Roberto Assagioli, o remédio está na simplificação da vida exterior e no desenvolvimento de forças interiores, autoconhecimento, o que possibilita escolher com mais consciência o melhor para o desenvolvimento pessoal e coletivo.

Em síntese, precisamos curar dentro, para curar fora. Nossas atitudes, sustentáveis ou não, refletem o que somos, como estamos.

A decisão de reciclar, por exemplo, é algo que, se trabalhado apenas pelo uso de punições, a médio e longo prazo, não bastará. A educação é o único caminho para uma condição sustentável e deve ir além do “como fazer” e do “punir”.

Uma educação integral possibilita conectar o sentido de Unidade à sustentabilidade.

Quando nos vemos separados, desconectados de nós mesmos, acabamos por nos sentir assim também com relação aos outros e ao meio em que vivemos; passamos a focar no “uso” e “resultado” como natureza de nossas relações. Extraímos o que podemos e descartamos sem consciência.

Esta ilusão de separatividade, fragmentação, é a maior doença que enfrentamos; quando não nos sentimos parte, não há um senso de pertencimento; e se eu não pertenço, não sou responsável. A cura está na conexão, na unidade, no reconhecimento de que todos somos interdependentes, todos pertencemos.

O sentimento de Unidade é nutrido a partir da conexão espiritual; e o contato com a Natureza é a forma mais viva da espiritualidade, ela é a lembrança da força criadora, remete ao nosso melhor, nos reabastece dessa energia.

O contato com a água, o sol, as árvores, o ar fresco, revitaliza, nos sentimos parte integrada do Todo.

Outra forma de perceber a Unidade ocorre quando realizamos escolhas e agimos alinhados aos nossos valores, ao que acreditamos. Se, por exemplo, o valor da “verdade” é importante, todas as vezes que vivenciar situações em que se sinta obrigado a mentir ou ludibriar, estarei ferindo a mim mesmo.

Nossos valores pertencem ao nosso sagrado, à nossa vida espiritual. E sempre que desrespeitamos isso, entramos em conflito interno. “Não queria ir, mas fui… não queria fazer, mas fiz… não queria… não queria… mas…”

Esta “aura” de escolhas abusivas, soa como uma traição interior. E, aos poucos, vou deixando de me importar comigo mesmo, perdendo a conexão e me afastando cada vez mais dos meus valores, do que acredito ser bom e saudável, vou me desconstruindo. Passo a cobrar do outro que aja assim também, que abra mão de seus valores para satisfazer as minhas necessidades, colocando sobre o outro o peso das minhas escolhas.

O preço deste ciclo constante de más escolhas, reflete no corpo físico, na parte material da vida.

Estamos acostumados a separar a vida material da vida espiritual, mas a verdade é que aqui também há interdependência e Unidade.

Devemos buscar desenvolver a vida material e a vida espiritual de forma integrada. Elas não estão separadas. Se nossas emoções refletem na saúde do corpo físico, nossas escolhas conscientes ou não, refletem na vida material.

Pequenas atitudes diárias, como dizer “não” ao que machuca continuamente, estabelecer limites, fortalecer a conexão espiritual, orando, meditando, movimentando o corpo, respirando com consciência, aproximam a vida espiritual e material e funcionam como um imã, criando um campo de plenitude onde nos sentimos amados e cuidados, a vida flui e não há conflito interior.

Nossas escolhas e atitudes, quando alinhadas aos nossos valores, conduzem a materializar, a criar e construir o que realmente queremos, o que importa para nossa evolução pessoal e coletiva.

Como resultado, manifestamos uma vida integrada e fluida, do espiritual para o material e do material para o espiritual; intuímos, sentimos, planejamos e agimos com coerência, em uma síntese perfeita de integração do nosso ser como parte ativa e vital para o funcionamento do Todo; porque todos importamos, todos pertencemos e todos Somos.

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